Dona Maria José tinha 67 anos quando decidiu vender o apartamento que comprou aos 38 — fruto de uma vida inteira de trabalho como costureira. Pagou cada parcela em dia por seis anos. Guardou o contrato numa pasta azul. Nunca mais tocou no assunto.
Foi só no escritório de um advogado, décadas depois, que ela ouviu a frase que mudaria tudo: o apartamento continuava registrado no nome do antigo dono — falecido havia mais de dez anos, com herdeiros em disputa. Enquanto o inventário deles não fosse concluído, ela não podia vender absolutamente nada.
A história de Dona Maria José não é exceção. É o cotidiano silencioso de milhões de famílias brasileiras — que vivem, pagam impostos e cuidam de um imóvel durante décadas sem saber que, juridicamente, ele nunca foi totalmente delas.